domingo, 27 de dezembro de 2009

da poeira de dezembro

Uma semana pra eu terminar de ler um livro, completar duas décadas, e resolver minha confusão.

Às vezes parece que eu quero que ele goste dela.

Às vezes parece que eu sei que ele gosta dela.

Às vezes as coisas se misturam.

E por vezes eu penso em apenas não pensar, mas quando eu volto o olhar praquela direção, lá está a confusão, intacta, como quando eu a deixei. O esquecimento não causa o desprendimento. INFELIZMENTE O ESQUECIMENTO NÃO ANDA DE MÃOS DADAS COM O DESPRENDIMENTO. ESQUECIMENTO E DESPRENDIMENTO SÃO RIVAIS HÁ ANOS; os meus rivais. Nada parece certo, mas no momento é a única coisa que está ao meu alcance. Já tentei cancelar o dito e o não dito. Tentei transformá-los em não dito e mesmo assim a poeira não parece baixar. Não há poeira. É só essa minha leve insistência em não insistir causando estrago por onde passa. Uma leve proteção que estraga. E eu, apesar de nem sempre gostar do estrago, preciso da proteção.

Tenho cigarros no meu armário - cigarros bons - e não tenho a mínima vontade de fumá-los. Estão intocados desde quando eu os escondi. É algo tão pequeno não fumá-los e por ser tudo tão pequeno eu sempre imagino algo grandioso por trás. Até quebrar a cara, é claro. Acho que tudo não passa de um jogo: obter o que eu não tenho; usufruir do que eu não posso ter. Se eu não os tivesse, aqui guardados, eu fumaria um cigarro qualquer, dado ou roubado, de qualquer um. Como os tenho me prendo a idéia de não fumá-los. Por quê? Ora, por não ter vontade alguma. Não me interesso pelo o que eu tenho, pelo o que está em minhas mãos, e quando, de fato, os tenho em mãos o desprezo.

Temo em ser assim com as pessoas também.

Não me interesso pelo fácil. Não me interesso, merda. E não tenho porra de ideal nenhum. Exceto ser feliz e fazer feliz alguém que queira ser feliz junto com a minha felicidade. Não desejo o mal a ninguém e não desejo todo mundo. Só temo em ser assim, jogadora, com as pessoas também. Eu quero o que está longe, o que está se ausentando, o que está se esvaindo por entre meus dedos sem que eu possa segurá-lo. Eu quero a merda do proibido. A merda do impróprio.

Eu quero ele, porra!

Mas às vezes parece que eu quero que ele goste dela; e as vezes esse gostar parece ser a única coisa verdadeira que emana daquele rapaz.

Eu não o entendo e não me entendo e não entendo isso tudo que a gente acabou se transformando. Tudo bem. Eu sempre digo que está tudo bem e sempre lhe dou um sorriso ao final de cada frase. Realmente está tudo bem; e eu sei que se não está, amanhã ou depois, ficará.

Ficará tudo bem.

A verdade é que eu já não faço questão alguma de entendê-lo e sei que, se houver alguma explicação por algum motivo, eu não vou acreditar em nada.

Não que ele se explique ou saiba se explicar.

Ele não se explica nunca.

É o garoto das metáforas misteriosas.

E é engraçado até, mas às vezes, quando eu me encontro naqueles olhos de fera acalantada, eu espero que ele diga "decifra-me ou te devoro". Fico pronta pra dizer "tudo bem, meu garoto" enquanto ele mastiga meu corpo distraído. Eu não me importo em ser devorada pela boca que eu já beijei. Eu não venho me importando com tanta coisa há tanto tempo. Só não gosto dessa falta de entendimento causadora de confusão.

A falta sempre machuca.

Sempre acredito naqueles olhos de promessas e o meu sempre se resume há 3 minutos. Após isso os atos da fera me guiam pra um caminho e, na volta, as palavras que saem daquela boca me fazem sentir qualquer coisa estranha. A boca que devora que beija que causa sensações. A boca que não é minha e é, ao mesmo tempo, de todo mundo. Eu me sinto destroçada às vezes e quase me divirto quando ele diz não existir gostar algum. Quando ele diz não existir ninguém. Não há nada, não é?

Apenas o jogo.

Ele também se interessa pelo jogo. Mas ele não fuma e é ai que o meu medo mora. Sem cigarros só restam as pessoas.

E ele não teme ser assim. Ele não teme.


2 comentários:

steffany disse...

puxa...vc gosta de escrever heim!!!
é sempre bom agente dar valor p nossas coisas não importa qual...mas agente só dar msm esse valor quando as perdemos...
o mistério de um carinha q eu conhecí me deixava grilada...ele me despresava totalmente..e quanto mais ele o fazia, mais eu queria desvendar esse mistério...nos olhos dele eu via q eu tinha chance msm q fosse pequena..mas eu acabei estragando tudo quando eu me declarei p ele..vc deve agir com igualdade..dê sinal q gosta mas quando ele perceber deixe-o confuso....isso vai deixa-lo louco..e ele vai querer falar com vc
espero q eu tenha ajudado
=*
=*

steffany disse...

ah ....e eu posso parecer careta, mas...cigarro não faz de ninguém mais forte...mas sim..mais fraco em todos os aspectos.vc se torna dependente dele.!...
=*